quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pouso-vôo



Brilha o Desejo
Na luz do segredo
E me transforma as vestes.

Não reconheço o meu entardecer
Embora publique suas cores

Perco-me no rumo do sono
E cavalgo em planos que não nascerão.
Estou despido!

Estou despido, mas descubro que
As horas não descansam nos numerais.

Inúmeras vezes mastiguei a certeza
E tive dúvida do sabor que tem.

Estou refém de um sorriso,
posto que meu abrigo também ainda
me sorri.

Quero fabricar a chuva
Perceber a curva, o não estaguinar.
Sentir o frio da saliva, desvendar a medida,
Quero me encontrar.

Mas aqueles cabelos
me põem em brasa,
Incendeiam-me as asas
E me fazem querer pousar.

Querer não querer mais nada,
Que não sejam os lábios.

Eles envelhecem minhas certezas,
De fato,
Naqueles lábios minhas certezas
Escorrem no tempo.

Agora meus olhos me desconhecem...

2 comentários:

Guto Lobato disse...

muito doido, marcito!!!
brincando com a língua portuguesa, como sempre... tá altamente musical, esse teu texto!

posta mais.

Jessi disse...

Gostei muito do blog... tens olhar poético. Quem dera o mundo fosse mesmo belo como vêem teus olhos.