segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Gente Grande





Passei a vida pescando segredos que conseguisse enxergar.Vi por entre as minhas dores um silêncio que me cavucava o peito. Me refiz nele... e acinzentei meus sorrisos.Fui crescendo por entre meus passos embriagados, quase sem chorar descobri a tristeza e tentei naturalidade.Por sua porta, dedilhei num passado meu agora, e cometi desvarios sem perceber que a noite inda não era plena, eu tinha marcas.De mãos vazias e corpo violentado, não conseguia mais ter crença, eram de sangue minhas lamurias e as manchas sobre minha camisa, eram de sangue e pó.Feito menino que descobre o doce, vi minha mãe sobre a delícia do sono, ela trazia botões de flor, não eram rosas, apesar de vermelhas, eram meus segredos que ela detinha, como se fora dela também.Eu, pasmo, continha meu choro, não queria parecer frágil, não queria ser frágil, não queria ser eu. Mas eu era, então me detive em colher meus silenciados, indizíveis, só meus, agora também dela, colhia meus botões de segredo em silêncio.Ela me sorria com o ar de quem me pôs na vida, eu a olhava com o ar de quem prefere a morte, preferi o coma do orvalho. Água sem vida que de tão pura nem mata sede. Antes essa do que a lágrima.Meus irmãos também viveram essa marca, dividi com eles o peso de não carregar nenhum, recriamos nossos acertos apartir dos erros comuns, sofremos a orfandade de pais em vida.Depois o agora virou mais tarde, e o dia seguinte já não pesava, cortamos nossos cordões com nossos criadores e descobrimos que a vida vem cercada de ausências, e que qualquer presença já não vale mais do que a vontade de estar livre.

Um comentário:

Guto Lobato disse...

excelente, marcitoooooooo!!!!

bem sobre aquilo que falamos mesmo.. cortar o cordão umbilical desde cedo e ser independente é uma questão não só de necessidade, mas de índole!

parabéns! atualizei meu blog, dá uma olhada!

http://redomadepapel.blogspot.com

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